
“Páginas em branco, ou eram quando as folheei. Branco não mais. Estão amarelando, se borrando como manchas de café nas toalhas brancas velhas; Elas continuam lá, intactas, apenas folheadas, nem ao menos com rasuras, nada. Não que palavras não possam se formar nas tais páginas, mas peguei-as com o intuito de descrevê-lo, não você, não mais […] Descrever o tal “amor” que anda me perseguindo, me embrulhando o estômago com as benditas borboletas. Não vá pensando que esse amor é insignificante diante destas páginas em branco amarelo, pelo contrário, o tal se torna tão devasto, tão intenso que fica complicado repassá-lo para as palavras. Meras palavras. Rasuras. […] Meros rascunhos ando montando em minha mente, mas apenas o começo e o meio se encaixam. O fim? Aparenta ser igual o tal amor, infinito.” Larissa B. — (Doce Insensatez)

“Minha vida mudou, meus objetivos mudaram, meus pensamentos, minhas ideias… Eu mudei e mudei pra melhor, mudei porque cansei de ser o que os outros queriam que eu fosse.” Larissa B. — (Goste Menos)
“E aí, coração? Como está? Está machucado ainda? Aposto que ainda sente as dores frequentes por culpa da saudade, e ainda carrega as cicatrizes não é? Eu sei, a culpa não foi tua, mas acho que também não foi só minha coração. Você não coopera, você não entende que não é porque alguns caras sorriram pra você e falaram belas frases que você tem que se entregar tão facilmente. Eu aviso pra você. Acho que até cansei de fazer sempre o mesmo discurso quando você começa com suas palpitações: “Não se iluda, não se entrega, seja difícil coração. Não caia de novo…” Eu aviso, não é mesmo? É, você aparenta estar exausto de ouvir sempre o tal discurso, e também está exausto de não entendê-lo sempre que digo, nem ao menos me dá um descanso. Sabia que não é só você que está exausto, coração? Minha mente também está. Exausta de criar imagens, diálogos, porque você se ilude, porque você pulsa forte por qualquer um que te fale coisas que queira ouvir. Coração, vamos acabar logo com isso. Vamos fazer um trato? O nosso trato de não-dor. Eu dou-lhe um tempo, um tempo para se curar, para recolher teus pedaços e ficar forte novamente. Mas depois de ter se reconstruído, eu lhe peço, não se iluda coração, seja forte e não sensível. Acredite coração, é pro teu bem, pro nosso bem.” Larissa B. — (Goste Menos)

“Vesti minha armadura de aço puro, coloquei meu coração junto com minha sensibilidade dentro de um baú trancado com correntes e cadeados, joguei o tal baú nas águas mais profundas junto com a chave. Não quero mais ninguém abusando de meu coração, ele estava realmente exausto e me orgulho de ter colocado em seu lugar uma pedra. Me orgulho de bater em meu peito e sentir o aço gelado. Me orgulho de sentir amor, só que amor próprio, conhece? Esse é o único amor que vai prevalecer agora, assim não terei que enfrentar as decepções e feridas, até porque pedra é bruta, pedra é forte.“ Larissa Bonani — (Goste Menos)

“Eu tento conviver com a dor de não te ter pra mim todos os dias, desde que eu te vi pela primeira vez.” Larissa B. — (Goste Menos)
“Podes vir. Não tenha receio, nenhum. Pode me ligar, interrompa meu descanso no meio da madrugada com tua voz rouca de noite mal dormida. Diga-me juras de amor, juras sussurradas e mal pronunciadas. Não me pergunte se podes voltar para nosso aconchego; não pergunte, venha. Entre de uma vez. Nunca mais tranquei a porta desde que você passou por ela dizendo nunca mais abri-la. Venha amado. Venha antes que as flores que sempre deixas na escrivaninha murchem. Venha antes que o café esfrie. Venha antes que eu murche, antes que eu esfrie.” Larissa B. — (Goste Menos)

“Chegar em casa e não te encontrar meio deitado no sofá, com os pés na mesinha anda doendo. Você sabe que eu odeio isso, manchar minhas mesinhas com teus copos de bebida, odiava te ver todo largado no sofá. Vontade de te colocar num cabide pra se endireitar, eu reclamava de mansinho parada na frente da tv quase no último, mas mesmo assim você me ouvia - de tanto ouvir acostumou-se. E você? Adorava quando falava isso. Adorávamos tua resposta direta. Você apenas me puxava para seu colo e parecíamos desendireitados. Precisávamos de dois cabides […] Depois de tempos nessa monotonia gostosa, parece que tu enjoou. Foi-se e nem parece que sentes falta disso; tá tão vivo, sorrindo tanto. E eu morta. Morta ao abrir as portas do nosso quarto e não ver a cama desarrumada com nossas peças de roupa espalhadas de tanto querer um do outro. Agora a cama está lá, arrumada, intacta, grande, vazia. Fria. Não encontro mais tuas roupas ao lado das minhas nos cabides do guarda roupa, teus casacos cheirando a fumo não empesteiam mais os meus, nem a casa. Nossa casa. Agora minha. Ou de teu fantasma. Juro que ainda ouço tuas músicas lentas no rádio, mesmo ele sendo desligado […] Você sabe que não gosto de comer sozinha; Ando colocando duas xícaras na manhã achando que você vai chegar reclamando das coisas, resmungando. Tua falta anda me enlouquecendo, delirando-me. Enquanto eu fico morta, você coloca teus casacos em outros cabides, dentro de outros guarda roupas.” Larissa Bonani — (Goste Menos)

“Minhas janelas agora estão fechadas. Temo outro furacão entrando e fazendo o estrago que você fez. Você entrou pela aquela janela quando tava tudo de qualquer jeito, tudo fora do lugar; nem tinha mais esperanças de que tudo se arrumasse. E você não fez nada. Só entrou. Esclareceu-se tudo. Como conseguiu essa façanha sem fazer absolutamente nada? Depois de tudo arrumado, eu deveria ter fechado as janelas pra não escapar… Você se foi como chegou; de repente. Voltou-se a desorganização, a confusão, tudo fora do eixo. Hoje ainda olho para o céu me convencendo de que virá algum furacão; previsão do tempo na tv. Ainda espero que venha outra temporada de furacões e que venha junto dela se lembrando de minha janela.” Larissa B. — (Goste Menos)

“Sinto lhe informar mas já te esqueci. Esqueci de tuas manhas incomodantes e gostosas. Já lhe disse da mania do boné? Odeio te ver sem ele e você sabe disso, acho que não põe só pra me importunar mesmo. Nunca mais te vi usando-o; às vezes sinto vontade de te deixar todo marrento batendo em sua aba quando você está com ele e para pra me olhar andar. Não me lembro mais do som da tua risada rouca. Ainda sinto vontade de sorrir quando a ouço de som de fundo, mesmo sabendo que não foi meus mimos que o fez rir, até porque você nunca mais riu por mim ou pra mim. Esqueci de como você gosta das suas músicas, por mais que elas sejam diferentes; ainda as ouço. Esqueci também de seus vícios em jogos, em morder, em fazer qualquer um rir; de ser o chato. Nem me recordo da forma de como gosta de me abraçar, ou abraçar outras. Tento não me lembrar de teu cheiro doce, dos teus traços, dos teus risos e sorrisos, teus mimos. Pra falar a verdade eu não me desprendi desses teus detalhes… Não me desprendi de você. Então me ensine a me desprender, como você fez.” Larissa Bonani — (Goste Menos)